quinta-feira, 23 de julho de 2009

A media da paixão - Lenine

É como se a gente não soubesse
Pra que lado foi a vida
Por que tanta solidão
E não é a dor que me entristece
É não ter uma saida
Nem medida na paixão

Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraido
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me machucou

É como se a gente presentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa aflição
E ficou o cheiro pelo ar
Ficou o medo de ficar
Vazio demais meu coração

Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraido
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me maltratou

terça-feira, 21 de julho de 2009

É exatamente isso que humanos fazem: Transformam objetos em pessoas e pessoas em objetos.

Cachaça

E só me vem quando não há certeza
Me desconjuros pra apagar a beleza
Da incertidumbre das mesmas mãos que as suas

E me atinge da melhor maneira
Como cânhamo ou cachaça certeira
Pra antecipar a quarta-feira

Eu vou sair,
Talvez te encontrar
São cinco e meia da manhã
E cadê?

Você sorri movendo quase nada
E antecipa a velha longa estrada
E os teus galhos vão me arborizando nu

Ainda teimo que não sou pra isso
Mas seus olhos gostam de correr o risco
E quero estar só, comigo

Eu vou sair,
Talvez te encontrar
São cinco e meia da manhã

Eu vou sair,
Pra não te encontrar
Não sei que horas da manhã.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Mas, por quê? Por que não ensinam às pessoas, desde bem pequenas, que elas são indivíduos preciosos? Que devem amar não por carência, acreditando desta forma a solidão de suas existências cessará. Mas amar com o coração em paz, com a idéia de que nem a pessoa mais íntima pode compartilhar a sua dor. A dor de não ser hermafrodita, de não ter com quem partilhas as suas entranhas.O homem deve cultivar a si mesmo com amor e cuidado. Acreditar-se eterno. Ser para si próprio eterno, afinal é certo que você será aquele quem mais tempo lhe fará companhia. E deixar o amor livre desta obrigação. Deve o homem acreditar na durabilidade do amor, mas nunca forçá-lo a isso.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público
com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo
Será contabilidade
tabela de co-senos secretário do amante exemplar
com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar &agraves mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.
Não quero saber do lirismo que não é libertação.


Manuel Bandeira
Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro - mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua viva, há então uma morte anormal.

domingo, 5 de julho de 2009

E se eu fosse o primeiro a voltar
pra mudar o que eu fiz
quem então agora eu seria?

Tanto faz
que o que não foi não é.
Eu sei que ainda vou voltar...
mas eu quem será?

Deixo tudo assim,
não me acanho em ver
vaidade em mim.
Digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo
e eles têm razão
quando vêm dizer que eu não sei medir
nem tempo e nem medo.

E se eu for o primeiro a prever
e poder desistir do que for dar errado?
Ah, ora, se não sou eu
quem mais vai decidir
o que é bom pra mim?
A Dispenso a previsão!

Ah, se o que eu sou é também
o que eu escolhi ser
aceito a condição.

Vou levando assim
que o acaso é amigo
do meu coração
quando fala comigo,
quando eu sei ouvir...

Aprendizado

Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo que da alegria foste ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne
vaporize toda ilusão
que a vida só consome o que a alimenta.

Ferreira Gullar

sábado, 4 de julho de 2009

Quem quiser nascer tem que destruir um mundo

Destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir.
SER É OUSAR SER.

Give me a reason to love you,

Give me a reason to be
A woman
It's all I wanna be is all woman
Give me a reason to be
A woman
It's all I wanna be is all woman.

Você tem fome de que?



Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte
Agora a vida vale menos a cada dia
À medida que amigos e vizinhos partem
E há uma mudança, que mesmo com desculpas não pode ser desfeita
Agora fronteiras mudam como areias dos desertos
Enquanto nações lavam suas mãos ensangüentadas
De lealdade, de história, em tons de cinza