terça-feira, 22 de setembro de 2009


"Durante toda a nossa vida, enfrentamos decisões penosas, escolhas morais. Algumas delas tem grande peso, a maioria não tem tanto valor assim. Mas definimos nós mesmos pelas escolhas que fazemos. Na verdade, somos feitos da soma total de nossas escolhas. Tudo se dá de maneira tão imprevisível, tão injusta, que a felicidade humana não parece ter sido incluída no projeto da Criação. Somos nós, com nossa capacidade de amar, que atribuimos um sentido a um Universo indiferente. Assim mesmo, a maioria dos seres humanos parece ter a habilidade de continuar lutando, e até de encontrar prazer nas coisas simples, como sua família, seu trabalho, e na esperança que as futuras gerações alcancem uma compreensão maior."




"O fato único que ocorreu entre os Isrraelitas, é que eles conceberam um Deus que ama. Ele ama, mais ao mesmo tempo exige um comportamento moral. E aí está o paradoxo. Qual é a primeira coisa que esse deus pede? Pede a Abraão que sacrifique seu único filho. Ou seja, apesar de milênios de tentativas, ainda não logramos criar a imagem de um deus amoroso e benévolo. Isso está além da nossa capacidade de imaginação."



Woody Allen - Crimes e Pecados



"Entender os caminhos do coração, é compreender a malícia e a incapacidade dos deuses que, em vã tentativa de criar um substituto perfeito, deixaram a humanidade confusa e incompleta."

"A vida é inacreditável, milagorasa, triste... maravilhosa."

Mighty Aphrodite - Woody Allen

domingo, 20 de setembro de 2009

Chagamos a tal ponto que a "vida viva" autêntica é considerada por nós quase um trabalho, um emprego, e todos concordamos no íntimo que seguir os livros é melhor. E por que nos agitamos às vezes, por que fazemos extravagâncias? O que pedimos? Nós mesmos não o sabemos. Será pior para nós mesmos se forem satisfeitos os nossos extravagantes pedidos. Bem, experimentai, por exemplodar-nos mais independência, desamarrai a qualquer de nós as mãos, alargai o nosso circulo de atividade, enfraqucei a tutela e nós... eu vos asseguro, no mesmo instante pediremos que se estenda novamente sobre nós a tutela. Sei que talvez ficareis zangados comigo por causa disto, e gritareis, batendo os pés: "Fale de si mesmo e das suas misérias do subsolo, mas não se atreva a dizer 'todos nós'". Mas com licença, meus senhores, eu não estou me justificando com esse todos. E, no que se refere a mim, apenas levei até o extremo, em minha vida, aquilo que não ousastes levar até a metade sequer, e ainda tomastes a vossa covardia por sensatez, e assim vos consolastes, enganando-vos a vós mesmos. De modo que eu ainda esteja mais vivo que vóz. Olhai melhor! Nem mesmo sabemos onde habita agora o que é vivo, o que ele é, como se chama. Deixai-nos sozinhos, sem um livro, e imediatamente ficaremso confusos, vamos perder-nos; não saberemos a quem aderir, a quem nos ater, o que amar e o que odiar, o que respeitar e o que desprezar. Para nós é pesado, até, ser gente, gente com corpo e sangue autênticos, próprios; temos vergonha disso, consideramos tal fato um opróbrio e procuramos ser uns homens gerais que nunca existiram. Somos natimortos, já que não nascemos de pais vivos, e isto nos agrada cada vez mais. Em breve, inventaremos algum modo de nascer de uma idéia. Mas chega; não quero mais escrever "do Subsolo"...

Memórias do Subsolo - Fiódor Dostoiévski

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Mas aqui começa uma outra história, a da gradual renovação de um homem, de sua regeneração paulatina. De sua passagem progressiva de um mundo para o outro, do seu conhecimento de uma realidade nova, inteiramente ignorada até aquele momento. Poderia ser a matéria de uma nova narrativa - mas esta que vinhamos narrando termina aqui."
Crime e Castigo - Dostoiévski (Último parágrafo)

Essa renovação também me foi apresentada à pouco.

:D