quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Estamos mais do que assoberbados
por centenas de abraços
e um milhão de boas palavras

Nós estamos
satisfeitos
de segunda a sexta
e nos domingos choramos

Mas nós gostamos
desde ponto de vista

Nós nunca mentimos
A partir de dez da manhã
somos honestos até nove.

Estamos mais bonitos
Nunca iremos ensinar a ser rude apenas duas vezes.
Mas nós gostamos desde ponto de vista

Solitaire - Interpol

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Malandro 2




















O malandro
Tá na greta
Na sargeta
Do país


E quem passa
Acha graça
Na desgraça
Do infeliz

O malandro
Tá de coma
Hematoma
No nariz



E resgando
Sua bunda
Uma funda
Cicatriz

O seu rosto
Tem mais mosca
Que a birosca
Do Mané


O malandro
É um presunto
De pé junto
E com chulé

O coitado
Foi encontrado
Mais furado
Que Jesus

E do estranho
Abdômen
Desse homem
Jorra pus

O seu peito
Putrefeito
Tá com jeito
De pirão

O seu sangue
Forma lagos
E os seus bagos
Estão no chão


O cadáver
Do indigente
É evidente
Que morreu

E no entanto
Ele se move
Como prova
O Galileu

Chico Buarque - A Ópera do Malandro

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Toque de Recolher


"Eu queria escrever algo muito diferente do que tinha escrito antes. A idéia de um ladrão de livros estava em minha cabeça quando escrevi 'I Am the Messenger', mas não estava pronta para ser escrita. A idéia original ambientava-se no presente, em Sydney, e isso não parecia muito certo. Depois, pensei em escrever sobre as coisas que meus pais tinham visto, ao crescerem na Alemanha nazista e na Áustria, e, quando juntei as duas idéias, a coisa pareceu funcionar, especiamente quando pensei na importância das palavras naquela época, e naquilo que elas conseguiram levar as pessoas a acreditar, assim como levá-las a fazer."


Markus Zusak, sobre "A menina que roubava livros".

sábado, 1 de agosto de 2009

Pena

O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai
Um sorriso por ingresso
Falta assunto, falta acesso
Talento traduzido em cédula
E a cédula tronco é a cédula mãe solteira

O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai
Acordes em oferta, cordel em promoção
A Prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A Luz acesa
Lá se dorme um sol em mim menor

[Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior]

O palhaço pena quando cai o pano
E o pano cai
A porcentagem e o verso
A rifa, a tarifa e refrão
Talento provado em papel moeda
Poesia metamorfoseada em cifrão

O palhaço pena quando cai o pano
E o pano cai
Meu museu em obras, obras em leilão
Atalhos, retalhos, sobras
A matemática da arte em papel de pão

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A luz acesa
Já se abre um sol em mim maior

[Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior]

O Teatro Mágico

Capitalismo

Consiste em comprar o que não pode, para impressionar quem não conhece.
Minha vida não foi um romance...

Nunca tive até hoje um segredo.

Se me amas, não digas, que morro

De surpresa ... de encanto ... de medo ...


Minha vida não foi um romance ...

Minha vida passou por passar.

Se não amas, não finjas, que vivo

Esperando um amor para amar.


Minha vida não foi um romance ...

Pobre vida ...

passou sem enredo ...

Glória a ti que me enches a vida

De surpresa, de encanto, de medo!


Minha vida não foi um romance ...

Ai de mim ...

Já se ia acabar!

Pobre vida que toda depende

De um sorriso ... de um gesto ... um olhar ...