terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Malandro 2




















O malandro
Tá na greta
Na sargeta
Do país


E quem passa
Acha graça
Na desgraça
Do infeliz

O malandro
Tá de coma
Hematoma
No nariz



E resgando
Sua bunda
Uma funda
Cicatriz

O seu rosto
Tem mais mosca
Que a birosca
Do Mané


O malandro
É um presunto
De pé junto
E com chulé

O coitado
Foi encontrado
Mais furado
Que Jesus

E do estranho
Abdômen
Desse homem
Jorra pus

O seu peito
Putrefeito
Tá com jeito
De pirão

O seu sangue
Forma lagos
E os seus bagos
Estão no chão


O cadáver
Do indigente
É evidente
Que morreu

E no entanto
Ele se move
Como prova
O Galileu

Chico Buarque - A Ópera do Malandro

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